segunda-feira, 9 de novembro de 2020




Unu Mondo, Unu Lingvo

         Um Mundo, Uma Língua

 

PROJETO DO CEHL - O QUE É O CEHL?



1. ‘CEHL’ são as iniciais de “Círculo de Espiritualidade Holística Libertadora”. O que se pretende é conjugar um grupo de pessoas “à procura”. À procura de uma espiritualidade que as ajude a crescer e a aprofundar no Mistério da Vida. A Espiritualidade não só para monges de distintas tradições, mas para todo o ser humano, pois a Auto-Realização é uma “tarefa” irrecusável em toda vida humana.

 

2. O CEHL promove a Espiritualidade Holística (EH). Ou seja, inspira-se no “paradigma holístico”. Holismo é aqui sinónimo de um pensamento-sentimento-prática que procura a totalidade, a integração, a harmonia do ser humano consigo mesmo, com a sua espécie, o resto do Cosmos e o Último ou Absoluto.

 

3. Não é um grupo que parta de uma espiritualidade “confessional”. Aliás, não se confunde Espiritualidade e Religião. Podem “interseccionar-se”, mas não necessariamente. Pode haver alguém que pratique a EH e que seja cristão, judeu, muçulmano, hinduísta, budista, taoista, etc. Mas pode também haver alguém que seja ateu ou agnóstico e que esteja na procura do Sentido da Vida. Ou simplesmente pode ser útil para quem esteja “à procura”. Pode-se estar nas periferias e nas margens das religiões institucionais, mas pode-se também estar longe delas. O importante é estar “à procura”.

 

4. O Holismo não é um novo dogma, nem uma nova religião, nem sequer uma filosofia (entendida no sentido de uma nova moda intelectual, com uma determinada “escolástica” a ser repetida acriticamente). Poderia ser considerada filosofia se se entende isto como atitude mental e, sobretudo, atitude vital. Seria melhor pensar o Holismo como uma metodologia, um caminho, de fazer as coisas. Um caminho que nos ajude a pensar criticamente, a colocar questões e a procurar respostas, que sempre serão relativas, aproximadas e provisórias.

 

5. O aspeto importante de uma EH é integrar corpo-mente-espírito numa unidade (dentro da diversidade). Não viver dualística-mente. Viver em totalidade (“wholeness”). Mas sem esquecer as diferenças, que enriquecem o Todo. O Todo é mais do que a soma das suas partes e, além disso, o Todo está em cada uma das suas partes (principio holográfico). Este é um excelente programa antropológico, ontológico e ético-político. Poderíamos acrescentar que é uma estética também, um estilo de pensar-agir. Defende a intuição, que não se reduz ao racionalismo dominante, mas que também não o despreza: antes o integra! (Veja-se, neste sentido, o “decálogo holístico”). Procuramos conjugar harmonicamente, de um ponto de vista psicológico e neurológico, os hemisférios esquerdo e direito do cérebro humano.

 

6. Como “círculo holístico” procura viver-se em “comunidade holística” (ainda que isto se possa realizar de diferentes maneiras). Uma comunidade de “buscadores/as”. Nas nossas reuniões, normalmente de duas horas e meia, com o ritmo semanal, procuramos integrar a primeira parte da reunião em meditação (temos privilegiado para isso o zazen), outra parte para a reflexão vital (normalmente uma obra prima ou uma temática central da Espiritualidade de todos os tempos, tanto do Oriente, principalmente, como do Ocidente) e, finalmente, uma parte para a programação da ação social solidária. Esta organização do tempo corresponde aos níveis espiritual/corporal e intelectual, com o intuito de serem integrados em síntese.

 

7. É uma Espiritualidade que “trabalha” o interior (ou melhor, que deixa emergir o essencial de cada um/a), mas, ao mesmo tempo, pretende ser libertadora de todos os obstáculos que o impedem, tanto a nível pessoal como coletivo. Portanto, pretende conjugar a própria revolução interior com a social (desde a nãoviolência ativa).

 

8. Atualmente existem dois grupos a nível ibérico, em Lisboa e Madrid. Isto aponta também a que mais círculos possam ser criados a nível de ambos países ibéricos, como também noutras áreas geográficas do Planeta. Uma vez por ano, normalmente a começos do Verão, costumamos fazer um encontro ibérico. Também estamos abertos a sessões de formação no paradigma holístico através de conferências e seminários, assim como também de retiros, de encontros e de formação em diversos aspetos que sejam complementares (vegetarianismo/veganismo, esperanto, yoga…). Quanto à questão económica, pedimos uma colaboração voluntária mensal, para ajudar a pagar o uso das instalações, da luz e demais. As fotocópias são de responsabilidade individual, mas tem sido prática do grupo fazê-lo de modo comunitário.

 

9. Reunimo-nos atualmente nas instalações do Convento dos Frades Dominicanos, em São Domingos de Benfica (Lisboa). O endereço é: Rua João de Freitas Branco, número 12, 1500-359- Lisboa. Temos um Metro muito próximo: “Alto dos Moinhos”, linha azul. O nosso dia de reunião é atualmente às terças-feiras, começando às 18 horas. A quem esteja interessado em participar do grupo pedimos-lhe que esteja disposto a manter uma presença habitual e regular no grupo e, para isso, que comece por entrar em contacto connosco, para marcar um encontro prévio e breve de formação. Contactar neste sentido com o nosso blogue ou com o frei rui manuel, dominicano, no email: rui@poetic.com

 

10. Finalmente, eis aqui algumas perguntas motivadoras iniciais:

 

10.1. O que acha deste projeto do CEHL?

 

10.2. Tem alguma sugestão?

 

10.3. Está interessad@ em ter mais informação e/ou participar connosco?

 

 

Um abraço muito holístico.

 

fr. rui manuel grácio das neves

 

 

Lisboa, 24.01.17

 

"LA MUERTE DEL YO" (UPADESA 2 - ENCONTRO IBÉRICO 2020)

 

1. Recuerdo que cuando estuve en Adyar, en Chennai, Estado de Tamil Nadu, en la India (2018), residí en la Sociedad Teosófica (ST) y tuve la oportunidad de hablar allí con varias personas. Entre ellas, con una señora joven brasileña, que hacía su solidaridad en la Administración de la ST. Recuerdo que en uno de los momentos salió la cuestión de definir que el avance espiritual consistía simplemente en constatar el aminoramiento, decrecimiento o extinción del ego/yo. Hablemos de manera más sencilla de: decrecimiento del ego. Precisamente el peligro grave de una Espiritualidad pervertida es la egolatría, el narcisismo, la auto-referencia, la manipulación egocéntrica de la Realidad. Por lo tanto, el barómetro o criterio del avance espiritual es observar el decrecimiento progresivo del yo/ego (centrismo).

2. ¿Qué significa esto para nuestros CEHLs? Significa lo que podríamos llamar el “vestir la camiseta” en serio, como se dice en portugués, algo así como implicarse a fondo en la cuestión del sacrificio por las y los demás, por la Naturaleza. Recordemos la historia de los pintores chinos de la Antiguedad que, poseyendo ya una gran técnica pictórica, querían “pintar del cuadro perfecto”. Para eso, si querían, por ejemplo, pintar un árbol “perfecto”, se sentaban en meditación delante del árbol en cuestión días y días sin fin, hasta que llegaba el momento en que entre ellos y el árbol no había distancia, o sea, que ellos y el árbol eran uno. A partir de ahí podían pintar el cuadro “perfecto”. Es decir, ¡cuando entre “yo” y la “Naturaleza” somos Uno! En otras palabras, cuando no hay un “yo” que perturbe esa unidad con lo diverso.

3. En la tradición cristiana hay una expresión en el Evangelio de Juan (3,30) donde aparece San Juan Bautista diciendo: “Él es quien debe crecer y yo disminuir”. Ese “Él” se refiere a Jesús de Nazaret, pero podría decir también aquí: La Comunidad. San Pablo va a decir, por su parte, aquello de que:”Y ya no soy yo quien vive, sino que es Cristo quien vive en mí” (Gal 2,20). Es decir, es tal la identificación personal con Cristo, que entre ambos hay una unidad. Es decir, el yo personal se evaporó.

(La palabra ´humildad´ viene de “humus”, la capa orgánica de tierra. Ser “humilde” es estar a la altura de la tierra o del suelo).

Podemos hablar así de macro-egos, meso-egos y micro-egos.

(1) Macro-egos, producidos por las grandes “tentaciones” del Dinero, Poder, Sexo, Fama, Éxito (=afirmación del ego).

(2) Meso-egos: los provenientes de cualquier cargo de autoridad, de la “titulitis”, del reconocimiento social (discutir esto último en la “pirámide de las necesidades” de Abraham Maslow).

(3) Micro-egos: egoísmos cotidianos, mediocridad, comodismo, consumismo, mezquindad, vanidad...

(Evidentemente, estas determinaciones aproximadas de nivel macro, medio y micro dependen no sólo de su caracterización, sino de su intensidad).

4. Algunas observaciones prácticas

Aquí, como en múltiples fenómenos del campo de la Espiritualidad, la cuestión es la vigilancia (el Maestro de Galilea y los grandes Maestros han hablado siempre de la importancia de esta actitud). La vigilancia del yo. La auto-observación. El “volver la mirada hacia adentro”, típico de la Espiritualidad (los sentidos están siempre vueltos hacia afuera). Es el auto-conocimiento (recuérdese las dos grandes actitudes de la filosofía existencialista: “la autenticidad” y “la búsqueda sincera y cotidiana de la realidad tal como es”). La práctica es identificar los diversos egos que nos habitan como, por ejemplo, los siguientes:

  • el ego de la auto-justificación y de la auto-complacencia
  • el ego de la crítica a l@s demás
  • el ego del auto-engaño (y con eso, del engaño a la gente)·
  • el ego de la comodidad, de la falta de auto-superación y la auto-exigencia
  • el ego de la despreocupación culpada por la falta de información y la formación de la conciencia (véase la importancia del “cultivo de la inteligencia” de la que habla Martin Luther King en La fuerza de amar)[1]
  • el ego del placer por el placer (dictadura del placer)
  • el ego de la “dictadura de los deseos”
  • el ego de la falta de generosidad
  • el ego del egoísmo y del egocentrismo
  • el ego de la búsqueda del poder
  • el ego de la acumulación
  • el ego de la búsqueda de la fama y el reconocimiento ajeno (productos de la inseguridad interior)
  • el ego de la búsqueda del éxito y el “eficacismo y pragmatismo”
  • el ego del descompromiso práctico (económico, político, social...)
  • el ego del desequilibrio (hablar más de la cuenta y callar cuando hay que hablar y denunciar...)
  • el ego de la soberbia y el orgullo
  •  el ego de la avaricia (los "apegos")
  •  el ego de la lujuria
  • el ego de la ira
  • el ego de la gula
  • el ego de la envidia
  • el ego de la pereza
  • el ego de la "blasfemia" (por ejemplo, para l@s budistas, la blasfemia contra Buda, el Dharma o la Sangha; o para l@s cristianos/as, la blasfemia contra Dios, Jesucristo, el Espíritu Santo, Maria o las y los santos..., o, en general, vivir quejándose de todo y de todos, sin espacio para la gratitud cotidiana)
  • etc.        

4. La acción correcta

Para superar estos egos ha habido fundamental dos tipos de respuesta, que aquí solo enunciamos, sin desarrollar: la más inmediatista o urgente (pero también más superficial), que es la del "agere contra" ("actuar contra": trabajando algunos de los "egos" con micro-luchas cotidianas de renuncia efectiva y práctica, aunque fuera de pequeña, pelo cualitativa, dimensión) y la más mediata, profunda y radical de la observación profunda (seguimiento continuo e implacable de nuestros egos, de cuál es su naturaleza, de cómo operan, de cómo nos hacen daño y nos impiden ser realmente libres y de porqué esto ocurre...). Podremos alcanzar así un estado de despojamiento y de libertad interior, fruto del no-ego.

Pero, evidentemente, esto es una cuestión de práctica correcta y no tanto de teoría.

Como diría el Maestro de Galilea: "¡Ve y practica!"

¿Podemos probar?

 

rui manuel grácio das neves

lisboa

30.09.20.

 



[1]Véase MARTIN LUTHER KING JR., Strength to Love (Fortress Press, Minneapolis 2010), apartado II, Capítulo IV, pp. 35-39, sobre la “intellectual and spiritual blindness”.